22 fevereiro 2011

Chuva e Sol

San Luis amanheceu com um temporal feio que me preocupou para viajar até Mendoza. A chuva chegou a alagar várias ruas. Procurei na internet pela previsão do tempo para a região e vi que em Mendoza não estava chovendo, então decidi que poderia ir.

Antes de encarar a chuva era preciso pôr gasolina no tanque porque dali em diante só encontraria um posto depois de 150 quilômetros. Parei no primeiro que encontrei e me disseram que não havia combustível. Procurei um outro e a situação era a mesma. No terceiro posto, que também estava sofrendo de pane seca, perguntei onde poderia encontrar combustível e o frentista me respondeu que somente um em toda a cidade ainda tinha para vender. E tinha mesmo. O problema é que criou-se uma fila grande de automóveis querendo abastecer. Imagino que não seja fácil entregar combustíveis em uma cidade tão longínqua.

Depois do perrengue para abastecer, peguei chuva forte na estrada, porém durou apenas alguns quilômetros. Logo o céu começou a abrir e o sol foi aparecendo aos poucos. A rodovia não é tão boa quanto a que peguei quando saí de Rosário, mas era de pista dupla, o que facilitou a viagem.

Conforme vai se chegando mais próximo à cidade de Mendoza, vê-se vários vinhedos à beira da estrada. Não resisti e parei no acostamento para tirar fotos de um deles.



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21 fevereiro 2011

De Rosário a San Luis

O caminho é longo de Rosário a Mendoza, por isso achei que seria uma boa ideia parar no meio do caminho para passar a noite. Fiz uma consulta no mapa rodoviário que carrego comigo e achei que San Luis seria uma boa opção. Como não tenho referências da maioria das cidades argentinas, perguntei ao recepcionista do hostel, que até me indicou outro hostel para ficar. Além disso, de San Luis a Mendoza é um pulo. Apenas 257 quilômetros de estrada separam as duas cidades.

Peguei a Ruta 8, que liga Rosário a Córdoba. O limite de velocidade dessa rodovia é de 130 km/h, o que torna a viagem menos cansativa e não me deixa preocupado com eventuais paradas pela polícia por excesso de velocidade. Andar assim estava tão bom que nem me dei conta de que já havia rodado quase 250 quilômetros. Tinha que abastecer logo para não parar por pane seca. O único problema é que não há postos de abastecimento nessa ruta. Na verdade não há nada, nem de um lado, nem de outro, a não ser fazendas e plantações. Para encontrar um lugar para abastecer é preciso pegar um dos desvios e entrar em alguma cidade próxima. Parei em Villa María, que era onde eu trocaria de ruta.

Mais alguns quilômetros, uma chuva leve, e várias cidadezinhas depois, cheguei a San Luis, onde passarei a noite. Amanhã já devo ter visual das grandes montanhas dos Andes.



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20 fevereiro 2011

Uruguai/Argentina

Saí de Colonia esta manhã no intuito de atravessar a fonteira do Uruguai com a Argentina. Foi uma viagem tranquila. Do lado uruguaio da fronteira, asfalto bom e liso. Do lado argentino a qualidade cai bastante e são raros os trechos com acostamento, mas nada que atrapalhasse.

Quando cheguei na ponte internacional, depois de dar entrada na Argentina, parei para tirar umas fotos atrás de um carro que estava estacionado aparentemente em local irregular. Mas já que ele estava ali, estacionei atrás. Pouco depois um senhor de idade avançada veio correndo em minha direção com o seu neto de 10 anos. Eles pararam ali para ver o Rio Uruguai bem de pertinho e pensaram que eu fosse algum policial multando o automóvel. Quando lhe disse que era turista brasileiro, ele me deu as boas vindas e disse que gosta muito dos brasileiros, que tem muita vontade de conhecer nosso país, e que no futebol gosta mesmo é quando o Brasil ganha da Argentina, porque quando perde os argentinos ficam insuportáveis, muito cheios de si, se achando os melhores do mundo. Eu ri e quase disse a ele que essa é uma constante, mas deixei pra lá. Política da boa vizinhança.

Entrei na Argentina pela província de Entre Ríos, cuja polícia tem fama de ser a mais corrupta do país. Da última vez que visitei a Argentina de moto, tive muitos problemas com eles. Passei por toda a estrada procurando a Policia Caminera até atravessar o Rio Paraná, mas não encontrei ninguém. Fiquei com a sensação de que eles não trabalham aos domingos. Sei lá, todo cuidado é pouco.



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18 fevereiro 2011

Separados

Logo pela manhã, pouco depois do café, meu celular tocou. Era Molinari para dizer que decidiram que não vão mais até o Chile. Acharam que seria melhor irem até Buenos Aires, aproveitar o fim de semana lá e depois começarem a voltar. Não me interessei pela ideia. O objetivo da viagem seria chegar até Santiago, no Chile, e é isso que vou fazer.

Acompanhei-os até o posto de vendas de passagens da companhia Buquebus, que faz a travessia de ferry-boat de Colonia até Buenos Aires. Pensei em atravessar junto, pois poderia seguir viagem desde a capital argentina, porém mudei de ideia ao ver os preços. É muito mais barato seguir de moto até uma ponte que há em Fray Bentos e entrar na Argentina por lá. Além disso, soube que o caminho é bem mais bonito e mais habitado. A ruta que sai de Buenos Aires é mais deserta.

Ainda estávamos em Colonia e, depois de compradas as passagens, fomos ao centro histórico da cidade para conhecer um pouco. Colonia foi fundada pelos portugueses e a parte histórica, patrimônio da humanidade, foi toda construída no século XVIII. A arquitetura lusitana daquela época está presente em todas as casas e nas ruínas daquilo que outrora fora um forte.



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17 fevereiro 2011

Buenos Aires ou não Buenos Aires?

Deixamos Punta del Este por volta do meio dia com destino a Colonia para passar um dia e conhecer essa pequena cidade fundada pelos portugueses. Achamos que seria boa ideia não parar em Buenos Aires, que é uma cidade que todos já conhecemos, e ganharíamos alguns dias em nosso cronograma fazendo isso.

No caminho, paramos em Montevidéu e procuramos por uma assistência técnica da Yamaha para trocar as pastilhas do freio traseiro da moto de Molinari. Estavam gastas e provavelmente não durariam até o Chile.

Havia apenas uma autorizada da Yamaha na cidade, mas não encontramos a peça. Acontece que no Uruguai a XT-660 não é oficialmente vendida, apenas por importação independente, e encontrar peças para ela não é fácil. Por sorte, um dos funcionários conhecia alguém que tinha uma oficina mecânica de motos. Em contato por telefone, confirmou que ele tinha as pastilhas. Fomos ao local onde ele estava e fez o serviço.

Dentro da oficina conversamos com um outro motociclista que já havia viajado por quase toda a América do Sul. Ele nos deu dicas interessantes de lugares para visitar e caminhos para seguir. Com essas dicas, pensamos em mudar o nosso roteiro e ir para Fray Bentos, que seria ótimo para nós já que pretendíamos pular Buenos Aires.

Aproveitamos para almoçar ali mesmo em Montevidéu. Eduardo sentia-se extremamente cansado e, ao discutir melhor o novo roteiro, achou que seria muito puxado para ele rodar mais 300 quilômetros. A jaqueta que ele escolheu para viajar é de couro, e não de cordura como a nossa, bem mais pesada e indicada para proteção em competições de velocidade. Provavelmente era esse peso que estava fazendo com que ele se cansasse mais rápido. Decidimos que ficaríamos mesmo em Colonia.

Mais tarde, em uma pizzaria de Colonia, voltamos a ver nossas opções para o Chile. Molinari e Eduardo chegaram a cogitar desistir da viagem. Vamos passar um dia aqui, conhecer a cidade e discutir isso de novo em outra hora.



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16 fevereiro 2011

Punta del Este

Aqui estamos nós mais uma vez em Punta del Este. Pegamos as motos e fomos dar umas voltas pela cidade. Almoçamos, fomos à praia e tiramos umas fotos, enfim, aproveitamos bem o dia. A vida é muito boa. Não sei como ainda tem gente que reclama.

À noite fomos a um cassino para mais diversão.



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15 fevereiro 2011

Caminhos Uruguaios

É hoje o dia de deixarmos o Brasil. Saímos de Porto Alegre um pouco tarde, às 11h, e tomamos as rodovias BR-116 e BR-471 rumo ao extremo sul do país. Havia muitos caminhões na estrada, principalmente na BR-116 por causa do porto que existe em Rio Grande-RS, mas depois quase não se via outros veículos. A BR-471 é uma reta imensa onde não se pode ver o fim, um ambiente desolado e deserto, quase sem casas. Para aqueles que quiserem passar por essa rodovia, um aviso, é bom calcular bem a quantidade de combustível necessária e encher o tanque ainda em Rio grande, porque se houver uma pane seca vai ser difícil conseguir ajuda.

Almoçamos tarde, por volta das 17h, na fronteira Brasil/Uruguai. As estradas uruguaias encontram-se em ótimo estado. No meio da rodovia há um trecho que serve como pista de pouso de aeronaves. Achei interessante, nunca tinha visto isso no Brasil e acho que nem existe.

Chegamos a Punta del Este no início da noite, deixamos as nossas coisas no hostel e fomos ao encontro de Molinari, que nos aguardava no hotel onde estava hospedado.



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14 fevereiro 2011

Manutenção Periódica

Acordamos cedo com a intenção de fazer uma revisão na minha moto em Porto Alegre. Ela realmente funcionou pela manhã, mas não podemos correr o risco de vê-la parar de novo em qualquer lugar caso volte a chover.

Seguimos pela BR-101 que, passada aquela área em obras, encontra-se em bom estado. A partir do município de Osório-RS entramos na BR-290, mais conhecida pelos gaúchos como Freeway. Trata-se de uma pista dupla com quatro faixas em cada um dos sentidos e asfalto de ótima qualidade. As condições da pista fizeram com que esse trecho da viagem fosse mais rápido e muito menos cansativo. Deu até pra dar umas esticadas!

Ao chegar em Porto Alegre, deixei a moto na revisão e passei por um susto. Quando pediram minha documentação para dar entrada na oficina, não encontrei minha carteira de habilitação. Será que saí de casa sem ela? Procurei em todos os bolsos e nada. Desisti e comecei a pensar em formas de conseguir o documento rapidamente. Liguei para uma amiga minha que trabalha no Detran e ela me orientou a procurar o Detran de Porto Alegre.

Assim eu fiz. Andei várias quadras no centro da cidade até encontrar o Centro de Formação de Condutores, onde me informaram que era impossível tirar uma segunda via ali, que teria que solicitar a transferência da minha carteira de um Estado para o outro e aguardar pelo menos 7 dias! Transferir? Não, moça, acho que você não me entendeu. O que eu quero é uma segunda via!

São nessas horas que percebemos o trastorno causado pela falta de um Detran único no Brasil. Como é que em um país como o nosso e em plena era da tecnologia da informação não temos um departamento de trânsito único e integrado em todas as regiões? Não sei. E não sou eu a pessoa que tem a resposta para isso.

Voltei ao hotel e, para a minha sorte, encontrei a habilitação escondida no meio da bagagem. Que bom, não vou mais precisar voltar para casa antes da hora.

Mais tarde, voltei à assistência técnica da Kasinski para tirar a moto da revisão. O mecânico me disse que a causa da pane foi o sensor do cavalete lateral que estava com uma pequena abertura por onde passava água, o que acabava fechando o circuito não permitindo que a moto desse partida. Foi resolvido simplesmente desligando o sensor. Quando voltar para casa penso se troco ou não por um novo.

Agora, mais relaxado, resolvi conhecer um pouco de Porto Alegre. Não muito, porém. Fui até o Mercado Público, onde estavam Eduardo e Vivi e mais nada. A minha ideia era depois dar um pulo na Calçada da Fama, que me foi recomendada pelo pessoal da Kasinski, mas Eduardo estava mais desanimado que bicho-preguiça com sono e fechou o dia por ali mesmo. Fazer o que, né? O jeito é guardar as energias para Punta del Este.



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13 fevereiro 2011

Perrengue!

O dia começou bem, clima bom e todos nós cheios de disposição. Saímos de Curitiba com a intenção de chegar a Porto Alegre, e escolhemos, para isso, ir pela BR-101, que passa numa área de serra e mata atlântica com lindos cenários. Curtimos o visual e nos divertimos ao mesmo tempo nas curvas de alta daquela região.

Um pouco mais tarde, já no Estado de Santa Catarina, tivemos uma surpresa um tanto inusitada. Próximo à entrada de Barra Velha-SC vimos uma réplica da estátua da liberdade na beira da estrada. Decepcionante. Acredito que seria muito melhor se tivessem criado um monumento original, ao invés de copiar um que já é símbolo de outra cidade.

Havia muitas plantações de arroz no caminho. Quando o tempo começou a virar a alguns quilômetros depois de Florianópolis, resolvemos parar em uma delas para que Eduardo e Vivi pudessem vestir capas de chuva e aproveitar para tirar umas fotos.

A máxima mais recorrente da nossa última viagem para a Argentina foi "se não tiver perrengue, não tem graça." E como não podia deixar de ser, passamos por um brabo.

A chuva caiu forte por volta das 17h e, aliada ao congestionamento causado por obras na pista e pelos caminhões, acabou tornando a viagem desconfortável.

Paramos para abastecer em uma cidadezinha a 30 quilômetros de Criciúma-SC e, pra piorar ainda mais a situação, depois de encher o tanque a minha moto parou, não dava partida, e nada que fizemos conseguiu fazê-la funcionar de novo. Culpa da umidade em algum circuito da parte elétrica da danada!

Após várias tentativas, decidimos que seria mais prudente passar a noite ali mesmo, em um hotel-pulgueiro que havia ao lado do posto. De manhã, quando a moto provavelmente estará seca, continuaremos a nossa viagem.



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